Ex-Senadora Marina Silva acerta a sua filiação com o PSB de Eduardo Campos


O quadro sucessório de 2014 sofre uma reviravolta nas últimas horas, com a decisão da ex-senadora Marina Silva de buscar uma composição com o PSB do governador Eduardo Campos.

Com a rejeição do registro do Rede Sustentabilidade, para não ficar de fora da disputa presidencial, Marina fechou sua filiação ao PSB e começou a discutir com o PPS a formação de uma frente que vai incluir seu partido, quando ele vier a ser oficialmente criado. As negociações com Campos e Freire começaram já na noite de sexta-feira.

Com a intenção de barrar a reeleição da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno, levando a disputa para o segundo, a intenção é formar uma “Coligação Democrática” com PPS, PSB e Rede, o que também não exclui uma dobradinha com o PSDB de Aécio Neves, para apoio mútuo para quem for ao segundo turno.

Tudo estava certo para Marina se filiar ao PSB, já sabendo que Campos é candidato, mas com um compromisso de as candidaturas se definirem lá na frente, de acordo com o desempenho dos dois pré-candidatos nas pesquisas de intenção de votos.

Marina se reuniu primeiro com o PPS pela manhã. E tem encontro marcado com Campos e a cúpula do PSB. Participaram da reunião, além de Freire, o líder da Câmara Rubens Bueno (PR) e o deputado Arnaldo Jardim (SP).

O jornalista Merval Pereira divulgou, em seu blog, que governador de Pernambuco Eduardo Campos fecharia um acordo político com grande impacto na corrida presidencial. O PSB assinará um protocolo de intenções com a Rede Sustentabilidade para a formação do que chamam de coligação democrática. O PSB reconhecerá a existência política da Rede e dará legenda a Marina e a todos os membros da Executiva Nacional do futuro partido.

Na noite de sexta-feira, Marina e Eduardo Campos conversaram por telefone e acertaram os detalhes do acordo que seria fechado ontem. Por esse acordo, no primeiro momento não se falará sobre a candidatura à presidência da República, permanecendo os dois na condição de pré-candidatos. A definição será dada mais adiante, provavelmente de acordo com a posição de cada um nas pesquisas de opinião.

No momento, Marina Silva está em segundo em todas elas, com índices que variam de 25% a 16% e o governador de Pernambuco está em quarto lugar com cerca de 5% dos votos. Segundo Merval havia uma conversa anterior em que Marina havia exigido ocupar a vice-presidência do partido e total independência na campanha presidencial, e a reunião de hoje definiria a disposição do PPS de aceitar receber Marina Silva e seus seguidores.

Sempre próximo do presidente do PSB, Eduardo Campos, o PPS também se colocou a disposição do ex-ministro José Serra. A estratégia é colocar na disputa um nome competitivo para levar a eleição, que tem a presidente Dilma Rousseff como favorita, para o segundo turno. Com a decisão de Serra de permanecer no PSDB e disputar com o presidente Aécio Neves (MG) a candidatura, o PPS voltou-se para Eduardo Campos. Com a rejeição do registro para o partido de Marina, o REDE Sustentabilidade, o PPS volta a ser uma opção dessa candidatura alternativa, com a ex-senadora.

Os socialistas não descartam uma parceria entre a senadora e o pré-candidato Eduardo Campos, numa chapa a presidente. A possibilidade de Marina não sair candidata a presidente, mas compor com outras forças políticas, saindo como vice, por exemplo, não é descartada por aliados do presidenciável socialista.

O secretário geral do partido, Carlos Siqueira, diz que Campos e Marina tem uma relação muito próxima e que ele, inclusive, assinou a ficha de apoio para a criação do Rede. Disse também que há uma identidade muito grande entre o eleitorado de Marina e a militância do PSB.

- Essa possibilidade (de Marina ser vice de Campos) seria maravilhosa, né? Como Deus é socialista, pode até acontecer esse milagre – brincou o secretário geral do PSB.

As conversas de Marina com Eduardo Campos começaram no inicio do ano. Em fevereiro, num encontro em Recife, ele assinou a ficha para a criação da REDE e uma carta de apoio. Já naquela época se sinalizava para um acordo futuro de alianças de apoio mútuo.

Adversários na corrida pelo Planalto em 2014, os presidenciáveis Aécio Neves , Marina Silva e Eduardo Campos estão agora, curiosamente, com os destinos entrelaçados. Sabem que só têm chance de vencer a presidente Dilma Rousseff, e o PT, se conseguirem levar a disputa para o segundo turno. Para que isso aconteça, Campos precisa garantir coligação com pelo menos um partido para ter tempo de TV. Os três pré-candidatos vem conversando e traçando estratégias conjuntas, de ajuda mútua, para concretizar as candidaturas.

Nessa dobradinha, Freire sempre defendeu a candidatura de Marina como fundamental para um segundo turno, e, depois de um confronto direto de toda a oposição, os três grupos políticos atuariam em coordenação contra a candidatura à reeleição de Dilma.

— Não podemos jogar todas as fichas numa candidatura única das oposições no primeiro turno. É preciso ver quem tem mais potencial de crescimento. Para chegar ao 2º turno, cada um desses três candidatos vai disputar como puder, vai ter controvérsias, mas com o trato de que o que chegar lá vai ter o apoio dos outros (candidatos) do campo oposicionista ao campo do PT, de Lula e de Dilma — afirma Roberto Freire ao GLOBO , há algumas semanas.

Para ter o segundo turno, Aécio e Campos, da mesma forma que Roberto Freire, consideravam fundamental a criação do partido de Marina.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.